Chá de Vô

Chá de Vô

Chá de Vô

 

     Certa vez morava no sítio do meu avô. Eu e meu irmão fomos limpar o pátio. Havia ao lado uma mata de araucárias, mas não era nativa, plantada em linhas retas, parecia mais um jardim, por isso achamos por bem cortar as outras plantas. Entre elas existia um tal chá de quina, difícil de conseguir mudas, nós não sabíamos, parecia um espinho e... cortamos, é claro!

     Depois de algum tempo, a nossa mãe viu o que fizemos. Ficou apavorada, disse que o chá era do vô, era raro e ele ficaria furioso com o acontecido. Tanto que ela não iria contar para ele, nós deveríamos falar sobre aquela tragédia!

     Bem, respiramos fundo, pegamos os galhinhos da planta e caminhamos até a casa dele. Era menos de dez metros para percorrer, mas parecia meio mundo para dois indivíduos de um metro de altura e com um crime tão grande para confessar. De mãos dadas entramos e fomos até a cozinha. Nós tremíamos diante daquele senhor alto, de barba branca, rosto marcado pelo tempo, mas de olhos muito vivos. Todo mundo falava que ele era muito bravo, sempre ouvíamos histórias sobre isso...

     Ele nos colocou sentados em banquinhos perto do fogão à lenha, pediu que contássemos o feito. Caminhou de um lado para o outro, durante o nosso relato. Quando perguntamos:

     - O senhor está muito bravo?

     Ele sorriu, nos abraçou e disse:

      - Não faz mal, esse chá brota de novo!

      Naquele momento, aprendi que chá de avô é muito mais que uma plantinha rara, é uma poção única de amor incondicional, que te educa em todos os momentos de tua vida.

 

Cheiro de Arte Poemas, Crônicas, Literatura Infantil e Contos.


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